Yoga no trabalho
Por: Patrícia Ribeiro
As empresas perceberam que Yoga é uma excelente ferramenta para gerenciar o estresse e proporcionar saúde par
Empresas descobrem os benefícios da prática e oferecem aulas para os funcionários
Cada vez mais, as empresas investem nesse tipo de iniciativa e já perceberam que o Yoga é uma excelente ferramenta para gerenciar o estresse, proporcionar bem-estar e saúde entre os funcionários. Ganha a empresa e ganham os trabalhadores, que se sentem mais valorizados e saudáveis.
Yoga laboral
Muitos ainda acham que Yoga na empresa é sinônimo de Yoga laboral. É importante esclarecer que o conceito de ginástica laboral é um tipo de exercício realizado no próprio local de trabalho, que dura 15 minutos, com a roupa de trabalho, e por lei, deve ser orientado por educador físico. Tem a função de compensar, energizar ou relaxar o trabalhador exposto a um esforço repetitivo.
A princípio, as empresas procuram o Yoga como um meio de gerenciar o estresse ocupacional e combater o sedentarismo.
“Temos percebido uma redução significativa em sintomas ligados ao estresse e aumento do nível de satisfação de aspectos como paciência, condicionamento físico, concentração, capacidade de relaxamento, entre outros. São itens valorizados no ambiente corporativo, pois influenciam a produtividade e a falta no trabalho por motivos de saúde”, esclarece Carlos Legal, que já implantou os programas de Yoga no Hospital Israelita Albert Eistein desde 2003, na Unilever desde 2005 e na Roche desde 2006, todos em São Paulo.
A diferença entre o Yoga laboral e o Yoga no trabalho é que atualmente as empresas reservam uma sala para este fim, onde as pessoas participam das aulas com roupas apropriadas, praticam nos tapetinhos e usam acessórios de Yoga. Normalmente as aulas têm uma hora de duração, uma ou duas vezes por semana. Algumas empresas oferecem as aulas sem custo para os funcionários e outras adotam desconto em folha de pagamento e custeiam uma parte. Uma das razões porque o programa de Yoga faz sucesso nas empresas é essa. Como muitas pessoas não têm acesso ao Yoga – seja por desconhecimento ou até por motivos financeiros –, fazer aulas a um custo reduzido ou de graça é uma motivação a mais. Mas é a praticidade de não ter de se locomover para fazer as aulas que leva muitos funcionários a aderirem ao programa. “Eu trabalho e estudo, não tinha tempo de fazer nada. Comecei a fazer Yoga dentro da empresa pela praticidade. Acabei me apaixonando pela prática”, diz a laboratorista Mariana Paz Magalhães, que trabalha no Hospital Israelita Albert Einstein. Sua colega de trabalho, a analista de laboratório Patricia Mayumi Matsuo, concorda e enfatiza que sua qualidade de vida melhorou com a prática. “Tenho dormido melhor, me sinto mais disposta e ativa e me interessei em aprofundar a prática com a leitura de livros e revistas.”
As aulas de Yoga dentro das empresas não se diferem das ministradas em um estúdio. Os professores preparam as aulas enfocando pranayamas, asanas, meditação e podem dar uma pincelada sobre um ou outro yama ou nyama. “Às vezes faço uma reflexão sobre algum tema durante a concentração no
início da aula ou no relaxamento, quando sinto necessidade, de forma sutil”, diz Cristiane.“No geral, os funcionários do hospital já têm uma carga de cobrança muito alta e falar sobre dar o melhor de si com contentamento (santosha) sobre o resultado pode ajudar a diminuir o estresse vindo da pressão no trabalho”, complementa.
Qualidade de vida
A mentalidade de obter lucro a qualquer custo, a valorização das máquinas em detrimento do ser humano são valores ultrapassados nas corporações. Hoje em dia elas estão preocupadas com a saúde e o bem-estar dos seus funcionários e alguns professores aproveitaram a oportunidade de levar o Yoga para o ambiente corporativo. “As empresas estão bastante abertas para propostas consistentes e que tragam benefícios para os funcionários. Acho que a comunidade do Yoga, assim como as publicações disponíveis e a ciência, têm conseguido formar boas referências de forma mais objetiva, sem mistificações e com uma linguagem mais acessível e jovial”, afirma Carlos Legal.
No Banco Real foi uma reivindicação dos próprios funcionários ter aulas de Yoga no trabalho. “Começamos o programa no início de 2006 e a adesão só foi aumentando. Hoje há cerca de 110 alunos na sede da Avenida Paulista e uns 50 alunos na unidade da Brigadeiro Luiz Antonio”, comenta Antonio Carlos Moreno, responsável pelo programa Vida Saudável da empresa. Além de aulas de Yoga quatro dias por semana, há práticas de meditação duas vezes por semana. “Queremos que nossos funcionários sejam pessoas mais equilibradas não só no trabalho, mas também na vida pessoal.” Tudo indica que o programa tem dado resultados. Uma das alunas mais empolgadas é a gerente de relacionamento Maria Luíza Morilla, que participa das aulas desde que foi implantado, há dois anos e meio. “Quando comecei a fazer as aulas, me apaixonei. Meus colegas de trabalho já comentaram que estou mais equilibrada, mais motivada. Até recebi elogios da minha chefe. ” O analista sênior Antonio Carlos dos Santos, que começou a praticar há quatro meses, também percebeu os resultados. “Antes tinha síndrome do pânico, insônia, tomava remédios para ansiedade. Depois que comecei a fazer as aulas, durmo melhor, meu humor melhorou e até parei com os remédios.”
“Os alunos procuram as aulas muito mais pelo fato de aquietarem a mente do que pelo interesse no trabalho com o corpo. No final das aulas, eles relatam que estão mais descansados, renovados e se sentem mais presentes”, conta. A economista Adriana Carvalho é uma das alunas que aprova o programa. “Tenho uma agenda bem corrida, foi ótimo essa iniciativa de ter aulas na empresa. Isso acaba se revertendo no trabalho, porque ficamos mais dispostos e saudáveis”, diz.
Valores humanos no trabalho
Além da prática de asanas, há também iniciativas de implantar programas
que valorizam o lado humano e ético no ambiente corporativo.
Fonte: http://www.yogajournal.com.br


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